Após cobrar da Caixa a suspensão da reestruturação da Rede e o acesso integral às informações sobre o projeto, o Sindicato conseguiu a suspensão do processo de seleção para migração de caixas e tesoureiros para outras funções. A Caixa anunciou a decisão durante a rodada de negociação desta sexta-feira (14), depois de a representação dos empregados questionar a forma como o processo vinha sendo conduzido.
O Sindicato havia formalizado a cobrança à direção da Caixa, exigindo a suspensão da reestruturação da Rede até a conclusão das tratativas com a representação dos trabalhadores. Também reivindicou acesso integral às informações e documentos do projeto, incluindo cronograma, unidades e empregados atingidos, critérios de movimentação, alterações de funções e possíveis impactos remuneratórios.
Na negociação desta sexta, a Caixa reconheceu os questionamentos apresentados pelos trabalhadores, pediu desculpas pela forma como o procedimento foi iniciado e informou que o processo de migração ficará suspenso enquanto o tema estiver sendo discutido na mesa. Na próxima reunião, o banco deverá levar os responsáveis pelo projeto para apresentar as informações cobradas pela representação sindical e explicar detalhadamente a proposta.
Saúde Caixa continua sendo motivo de preocupação
Apesar do avanço na questão da migração de caixas e tesoureiros, a negociação desta sexta-feira terminou sem acordo sobre o Saúde Caixa. A Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) recusou a nova proposta apresentada pelo banco por considerar que ela mantém a transferência do aumento dos custos para os usuários e rompe com princípios de solidariedade e do pacto intergeracional.
Para a representação dos empregados, o modelo continua transferindo para os usuários a responsabilidade pelo aumento dos custos, rompe com princípios de solidariedade e com o pacto intergeracional e pode provocar uma nova perda de beneficiários, comprometendo ainda mais a sustentabilidade do plano.
A proposta prevê mensalidades por beneficiário de acordo com a faixa etária, 13 contribuições anuais, piso de R$ 400 por grupo familiar e limite de comprometimento de até 12% da remuneração-base do titular. As parcelas individuais variam de R$ 358 para a primeira faixa etária a R$ 2.148 para beneficiários com mais de 59 anos. O novo formato de custeio está previsto para entrar em vigor a partir de 1º de setembro.
Para Antonio Abdan, diretor do Sindicato e representante da Fetec-CUT/CN na mesa de negociação, a proposta mantém problemas já apontados pela representação dos empregados. “Essa proposta rompe com o pacto intergeracional, com parcelas individuais que vão de R$ 358 na primeira faixa a R$ 2.148 para quem tem mais de 59 anos. Essa proposta também traz um piso por grupo familiar mínimo de R$ 400 e o teto de 12% da remuneração-base”, explica.
Atualmente, o teto familiar é de 7% da remuneração-base. O ACT vigente estabelece contribuição de 3,5% da remuneração-base do titular, além das mensalidades dos dependentes, dentro das regras previstas no acordo.
Segundo Abdan, o aumento do custo do plano pode consumir eventual reajuste conquistado pelos empregados na Campanha Nacional. “Nós entendemos que essa proposta tira o que poderia ser um possível ganho que nós teríamos na campanha salarial e promove uma redução nos nossos rendimentos. Por conta disso, nós rejeitamos a proposta em mesa”, afirma.
A representação sindical reivindica a retomada efetiva da proporção histórica de 70% dos custos para a Caixa e 30% para os usuários. A minuta da Campanha Nacional de 2026 também estabelece a solidariedade, o mutualismo e o pacto intergeracional como fundamentos permanentes do Saúde Caixa.
O alerta é ainda maior diante da perda de beneficiários registrada pelo plano. Em negociação anterior, a Caixa informou que, entre 2023 e fevereiro de 2026, foram registradas 20.056 adesões e 35.446 cancelamentos, resultando em saldo negativo de 15.390 vidas. Para a CEE, o aumento da participação dos usuários pode ampliar as saídas e enfraquecer a lógica mutualista do plano.
Confira a tabela com a proposta da Caixa

Avanços na Promoção por Mérito
Se a proposta para o Saúde Caixa foi rejeitada, a negociação registrou avanços na Promoção por Mérito. A nova proposta apresentada pela Caixa reduziu o número de tarefas, atividades e cursos exigidos para a conquista do primeiro e do segundo delta e retirou o Alcance.Caixa como critério para obtenção do segundo delta.
“Também ela retirou o critério que diz respeito a resultado. Então, o Alcance.Caixa não vai mais influenciar no segundo delta”, destaca Abdan.
O banco também garantiu o pagamento dos deltas em janeiro, atendendo a uma reivindicação histórica da representação dos empregados. Os valores referentes ao ano-base 2026 serão pagos em janeiro de 2027 e os relativos ao ano-base 2027, em janeiro de 2028.

CEE cobra respostas para toda a pauta
Apesar dos avanços obtidos nesta sexta-feira na Promoção por Mérito e na suspensão do processo de migração, a CEE voltou a cobrar da Caixa respostas para todas as reivindicações apresentadas ao longo das negociações específicas.
Entre os principais pontos estão uma solução sustentável para o Saúde Caixa com maior participação financeira do banco; novo PFG e novo PCS; regras transparentes para os PSIs; valorização das funções e proteção da remuneração; negociação dos programas de remuneração variável; melhores condições de trabalho, combate às metas abusivas e ao adoecimento; regras negociadas para o teletrabalho; ampliação do quadro de pessoal; e garantias para que mudanças tecnológicas ou organizacionais não sejam implantadas unilateralmente.
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Da Redação com Contraf-CUT
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