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23 de Junho de 2026 às 10:16

Bets e fintechs: um cerco necessário, ainda que tardio

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O governo brasileiro comunicou, na sexta-feira (19), a identificação de 37 fintechs ligadas a plataformas de bets que realizavam apostas ilegais e determinou à Anatel o bloqueio de aproximadamente 50 mil sites que realizavam essas transações.

Com a realização da Copa do Mundo de Futebol, intensificou-se a propaganda das apostas em bets, o que tem aumentado os problemas financeiros para milhares de pessoas. Segundo o ministro da Justiça, Wellington Lima, 25,2 milhões de brasileiros apostam em plataformas ilegais. “Estamos falando que as bets ilegais representam algo entre 41% e 51% das plataformas que operam na legalidade. É um número relevante”, afirmou.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em atendimento à Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão do Ministério da Fazenda, bloqueou mais de 40 mil sites. Em três meses, mais de 10 mil sites foram tirados do ar, controlados por cerca de 350 pessoas, que tinham por trás de toda a operação as 37 fintechs identificadas.

Em maio passado, o Banco Central publicou a Resolução BCB nº 569/2026, que estabeleceu regras sobre o compartilhamento de informações relativas a fraudes entre bancos e fintechs. Em janeiro, a SPA revelou que 54 bancos e fintechs fizeram 1.255 comunicações sobre 1.687 pessoas suspeitas de transferirem dinheiro para bets ilegais. Isso levou ao encerramento de 550 contas, em 2025, e ao bloqueio, no ano passado, de 25 mil sites, número que dobrou neste ano, em apenas um semestre.

Com as normas definidas pelo BC, assim que a SPA identificar um operador irregular, deve emitir um comunicado em até 24 horas e enviá-lo aos bancos e fintechs, que devem bloquear os valores em até 48 horas.

PCC criou uma fintech

O promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo Lincoln Gakiya denunciou, em um seminário realizado no dia 16 de junho, em Belo Horizonte, que o Primeiro Comando da Capital (PCC) criou a sua própria fintech, tendo destinado à instituição cerca de US$ 2 bilhões anuais (R$ 12 bilhões) para lavagem de dinheiro, em um salto qualitativo de suas ações.

"Faz quatro anos que falo das fintechs. Porque onde existe deficiência de regulamentação, de fiscalização, baixo risco penal e alta lucratividade, eles (o PCC) estão presentes. O Banco Central autorizava como empresa de pagamento, mas não fiscalizava. O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e a Receita Federal também não tinham essa obrigação legal na época. Quem fiscalizava isso? Ninguém. Então, os caras criaram o próprio banco", revelou o promotor ao Estado de Minas.

A Operação Carbono Oculto, destinada a investigar o Caso Master, mostrou a relação direta entre o crime organizado e investidores da Faria Lima, centro do Sistema Financeiro Nacional.

Pedro César Batista
Colaboração para o Sindicato

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