São Paulo - Bancários dos bancos privados realizaram encontros separados por instituição para discutir as demandas específicas, expondo preocupações e reivindicações que serão levadas à 26ª Conferência Nacional dos Bancários, aberta nesta sexta (19), em São Paulo. A Convenção Coletiva de Trabalho dos Bancários (CCT) tem validade de dois anos e será renovada em 1º de setembro.
Itaú
No Itaú, as grandes questões são a reestruturação do banco, o fechamento de agências físicas, a garantia do emprego e os impactos da inteligência artificial na organização do trabalho e na saúde dos trabalhadores. Washington Henrique, diretor da Federação Centro-Norte (Fetec-CUT/CN), explica que o monitoramento dos trabalhadores por inteligência artificial é uma das preocupações levantadas porque gera demissões: foram 1.100 só em São Paulo. A IA do banco teria detectado "baixa aderência" como justificativa para demitir. Os bancários não aceitam o uso dessa ferramenta como critério.

O desemprego e as demissões em massa preocupam. Washington diz que hoje o banco tem 82 mil funcionários, sendo que o próprio Itaú "diz que até 2030 o banco vai estar totalmente digital. Então, a preocupação é: será que teremos esses 82 mil, ou vai cair para 50 mil, 35 mil? Quantos vão ficar depois dessa inteligência artificial ser aplicada dentro dos bancos?".
De acordo com o Dieese, a holding Itaú extinguiu 3.535 postos de trabalho entre 2024 e 2025, encerrando dezembro de 2025 com um quadro de 82.693 trabalhadores. Além disso, o Itaú fechou 2.439 agências em dez anos.
Outra grande preocupação é com a saúde, o que pode ser observado pelo aumento dos casos de adoecimento devido à cobrança pelo cumprimento de metas, ao assédio moral e ao medo de perder o emprego diante do fechamento de tantas agências.
As discussões também abordaram a dificuldade financeira de permanência dos aposentados no plano de saúde, o que é uma injustiça depois de anos de dedicação ao banco.
O documento unificado será entregue ao Itaú em 2 de julho, marcando o início das negociações específicas da Campanha Nacional dos Bancários de 2026.
Santander
No Santander, as propostas apresentadas são a manutenção do emprego bancário, a preocupação com as reestruturações, o fechamento de agências e o cuidado com a saúde dos trabalhadores.
Só no primeiro trimestre deste ano, o Santander registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,8 bilhões porque o banco se baseia em um modelo seletivo de clientes, automatizado, digitalizado, com forte redução de custos, fechamento de agências e redução de funcionários.
"Este é um momento muito importante para os trabalhadores do Santander. Tivemos uma ampla participação nacional na construção das propostas, com contribuições dos sindicatos de todo o país. As reivindicações debatidas nos encontros e conferências foram consolidadas em uma minuta que consideramos muito positiva para a categoria", explica Eliza Espíndola, representante da Fetec-CUT/CN na Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander.

"Agora vamos entregar essa minuta ao Santander e dar início à campanha pela renovação e pelo avanço do nosso acordo coletivo. Este é o momento em que levamos oficialmente nossas propostas para a mesa de negociação", completou Eliza.
Ainda de acordo com a dirigente, "a partir da entrega da minuta, começaremos as negociações com o banco. Nosso objetivo é chegar a setembro com o acordo renovado, preservando os direitos já conquistados e avançando em novas conquistas para os trabalhadores do Santander."
De acordo com o Dieese, só no ano passado o Santander fechou 323 agências e 256 postos de atendimento, reduziu em 10% o número de empregados efetivos e ampliou em 11% o de terceirizados. Os bancários que permanecem sofrem com o aumento das atribuições, a pressão por metas cada vez maiores e um ambiente cada vez mais desgastante.
Todo esse conjunto se reflete diretamente na saúde física e mental dos bancários, com aumento dos riscos de adoecimento. A categoria bancária está entre as que mais registram afastamentos no país. Embora represente cerca de 1% do total de trabalhadores empregados no Brasil, responde por quase 15% de todos os afastamentos e concessões de auxílio-doença em decorrência de transtornos mentais e comportamentais (como burnout, depressão e ansiedade).
Bradesco
O Encontro Nacional dos Funcionários do Bradesco teve como tema "Mais valorização, direitos e futuro" e também discutiu formas de se contrapor ao fechamento de agências, à redução de postos de trabalho, às metas abusivas, aos problemas de saúde e aos impactos da inteligência artificial.

No Bradesco, em média, a rentabilidade é 30% superior à do ano anterior, mesmo com fechamentos e demissões. "Ou seja, as pessoas que ficam são responsáveis por dar esse lucro. Então, essas metas abusivas hoje estão ocasionando doenças", afirma José Garcia, diretor da Federação Centro-Norte. "Muita gente trabalha hoje com remédio de tarja preta na gaveta. E nem atestado eles tiram quando estão em crise porque não querem deixar pistas para o banco descobrir que o trabalhador já está em processo de adoecimento."
Inteligência artificial
Com os aplicativos de celular, os computadores e a inteligência artificial, reduziu-se muito a necessidade de as pessoas irem ao banco. Não se trata de voltar ao tempo das cavernas, brinca o dirigente. Mas é uma questão de ajuste para não causar mais fechamentos de agências, desemprego e ainda mais pressão sobre quem permanecer.
Mobilizados
A negociação com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos, o sindicato dos banqueiros) sempre é difícil. Mesmo assim, os bancários são uma das categorias que, por sua força, ainda conquistam aumento salarial com ganho real. Essa é uma das metas propostas pelos trabalhadores do Bradesco: reposição da inflação e mais um acréscimo a ser negociado com o patronato. Isso sem perder as cláusulas benéficas já previstas no acordo em vigor e com o acréscimo de outros itens favoráveis aos bancários.
Por isso, os dirigentes e delegados do encontro do Bradesco pedem que a categoria como um todo esteja mobilizada, esclarecendo os colegas e pressionando para que os Acordos Coletivos e a Convenção Coletiva sejam positivos para os bancários.
Jô Miyagui
Colaboração para o Sindicato
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